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Teia dos Povos se reúne na Bahia

21 de abril de 2017
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Segue até domingo (23), em Porto Seguro (BA), a 5ª Jornada de Agroecologia da Bahia, organizada pela Teia dos Povos. Desde a última terça (19) o evento reúne acampamentos, assentamentos, quilombolas, indígenas, mestres e lideranças de tradição oral, pequenos produtores, estudantes, pesquisadores e profissionais em agroecologia.

Com o tema central “Terra e Território: Natureza, Educação e Bem Viver”, o evento reuniu representações da Teia dos Povos da Bahia e do Maranhão em sua primeira mesa. A ideia do momento era  fomentar provocações para as rodas de conversas do turno da tarde que debateram a “unidade dos povos e território”, “mulheres” e “terra, território, soberania e estado”.

Representando a Bahia, estiveram presentes Joelson Ferreira, do assentamento Terra Vista e Nailton Muniz, cacique Pataxó Rã Rã Rãe, de Pau Brasil. A experiências de luta no Maranhão foram representadas por  Adália , quebradeira de coco babaçu e Rosa, representação do povo Krikati.

A demarcação de terra foi o tema central das falas. Com mais de quarenta anos de liderança, Nailton conta que sua comunidade perdeu quase todo território em um processo onde muitos indígenas foram assassinados e transferidos para outras regiões. Após muita luta, o território foi reconquistado em 2012, mas o governo não pagou os fazendeiros que haviam invadido a terra e os pataxós continuaram sofrendo pressão e ameaças.

“Reconquistar a nossa terra é garantir nosso território. A leia é um bicho de três pés, só anda se a agente empurrar”, afirma.

Nailton Muniz, cacique Pataxó Rã Rã Rãe

Nailton Muniz, cacique Pataxó Rã Rã Rãe

Para Adália a legislação não tem garantido a efetivação das demarcações. “A gente garantiu a lei no papel, mas na realidade ela não é aplicada”, explica. A maranhense compartilhou as dificuldades que as quebradeiras de coco babaçu vivenciam e garantiu que “não se tem coco livre em terra alheia”.

“ A terra demarcada foi através de luta, de sangue. Não foi o governo quem deu”, diz Rosa, que explica que a terra representa a luta dos Krikatí . A comunidade teve seu território declarado como terra indígena em 1992, mas somente em 1999 a Funai iniciou o processo de desocupação dos invasores. Hoje os Krikatí ainda não ocupam todas suas terras e tentam recuperar a devastação provocada pelos invasores. “ Ali está a nossa felicidade, nossa paz, o nosso espiritual, nossa cultural, canto. A terra é tudo”, conta.

Para Joelson a questão da terra perpassa em pensar um novo modelo para economia. “É preciso construir uma economia que vá além do capital”. ele concluiu sua fala afirmando que “ não há liberdade sem terra e não há possibilidade de vitória sem unificar os povos”.

Além das mesas e rodas de conversa, a jornada tem feiras de economia dos povos, trocas de sementes crioulas e orgânicas, minicursos, relato de experiências, oficina e manifestações culturais como música, teatro, dança, artes plásticas e artesanato. O evento também conta com a Ciranda/Jornadinha, espaço lúdico e sociopedagógico voltado às crianças que, acompanhando suas famílias, participam da Teia.

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