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“Não podemos reproduzir a violência do colonizador”

22 de abril de 2017
Para Gamela , líder indígena, há um processo de pensamento colonizado que permanece e que precisa ser desconstruído.

Uma professora negra, um professor indígena, uma pescadora e um cacique. A diversidade marcou mais uma vez a mesa de abertura da programação diária, desta sexta (21), da Jornada de Agroecologia da Bahia, organizada pela Teia dos Povos. O encontro segue até domingo (23), na Arena Boca da Barra,  em Porto Seguro (BA), promovendo o encontro de acampamentos, assentamentos, quilombolas, indígenas, mestres e lideranças de tradição oral, pequenos produtores, estudantes, pesquisadores e profissionais em agroecologia.

O momento reuniu Inaldo Gamela, cacique do Maranhão, Maria José, professora, Elenice Sacramento, de Salinas das Margaridas (BA), uma das referencias do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Brasileiras e Edson Caiapó , professor do IFBA.

Inaldo Gamela iniciou sua fala recordando que “não há tecido mais forte que a teia das aranhas” e que os povos precisam se unir em uma aliança pra enfrentar a violência. “Apesar de toda violência não estamos destruídos, não fomos extintos. Mesmo com a violência estivemos 517 anos de pé e em luta e por isso fazemos lanças e construímos teias”, disse.

Para Gamela há um processo de pensamento colonizado que permanece e que precisa ser desconstruído. “Nós não podemos reproduzir a violência do colonizador,que transformou tudo em mercadoria. A colonização foi tão violenta que nos fez transformar uma árvore em mercadoria, a pensar na terra e na água como mercadoria, mas dentro de nós temos uma energia ancestral que diz que é sagrado e que tem o direito de viver”. diz.

O sistema de produção capitalista também foi criticado por Caiapó. “Os povos tradicionais não se enquadram e não se enquadrarão a esse modelo produtor da desigualdade”, afirma.

Nailton Muniz, Joelson Ferreira, Adália Rosa Krikati.

Nailton Muniz, Joelson Ferreira, Adália Rosa Krikati.

Em sua fala Maria José percorreu a história de resistência dos povos indígenas e negros no país. “ A gente é um lugar. O Brasil foi construído a partir de alguns pilares: violência, escravização,  racismo, patriarcado e do eurocentrismo”, sinaliza.

Em seguida Elenice Sacramento alertou sobre o processos de invisibilidade sofrido pelos negros e indígenas. Para a pescadora estamos numa maré favorável para fazer luta. “ A luta política se faz nas marés pequenas”, disse.

Elenice discorreu sobre a importância da mulher na cadeia produtiva da pesca artesanal e sobre a dimensão agroecologica desse oficio. “Somos considerados entraves para o modelo de desenvolvimento capitalista. Nós não sabemos e não queremos fazer outra coisa. Nossa luta é pra que tenhamos o direito de continuar vivendo e morrer no lugar onde morreram nossos ancestrais” , finaliza.

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