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“Estamos reproduzindo experiências que a população negra já fez nos quilombos e terreiros”

20 de novembro de 2017
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Foi às margens do Rio Jaguaribe (Rio Cascão) que negros escravizados encontraram refúgio. Hoje, situado na região periférica do subúrbio rodoviário da capital baiana, o bairro de Águas Claras segue sendo solo de resistência.

Se a carência da efetivação de políticas públicas, a criminalização e morte de adolescentes e jovens negros ainda são  realidade, em contrapartida, a integração comunitária e o fortalecimento dos laços de vizinhança e solidariedade constroem uma nova história. “A comunidade começou a perceber que a violência aumentou de forma bem drástica e fomos nos trancando em nossas casas. Aqui sempre fomos de rua, de ocupar a praça, de fazer nosso churrasco, nossas brincadeiras”, explica Gilmar Santos, artista visual e morador do bairro.

Segundo Gilmar, essa constatação foi o primeiro passo para que moradores da comunidade se reunissem pra refletir a questão. “Houve uma confluência de desejos e boa vontade e com apoio adquirimos um imóvel abandonado”. Nascia o Movimento Cultural de Águas Claras, o MOCA.  “Estamos reproduzindo experiências que a população negra já fez, nos quilombos e terreiros. O apelido do movimento é MOCA,  que vêm de mocambo, que é quilombo”.

Na reforma do espaço moradores doaram materiais de limpeza, construção, seus tempos, forças de trabalho e talentos. Também doaram livros e o espaço ganhou uma biblioteca comunitária. É o que conta Eliane Moreira, moradora e educadora social. “ Começamos uma campanha para arrecadar fundos com os moradores e com essas doações começamos as aulas de capoeira”, conta.

Hoje o movimento oferece para crianças e adolescentes oficinas de capoeira, percussão, dança, atividades de mediação de leitura e exposição de vídeos documentários e filmes. “ A gente busca desenvolver atividades socioeducativas, o nosso foco é formação política. A gente quer favorecer o empoderamento de lideranças comunitárias para que tenhamos força para incidir de forma mais qualificada sobre o poder público e também penetrar na comunidade, sensibilizando outras pessoas a se juntarem ao movimento. Nosso foco é consolidar um processo de organização comunitária, porque isso é a base para outras conquistas. Se não houver organização, não terá mobilização, se não  tiver mobilização não tem acesso a direitos”, conclui Gilmar.

Eliane explica que novas atividades estão sendo previstas, como oficinas de horta comunitária, compostagem e bijuteria. “Muitas mulheres estão sem trabalho e aqui no bairro se percebe que muitas são responsáveis por todo sustento da família. As aulas de bijuteria também surgem com esse objetivo de capacitá-las para geração de renda”, diz.

ANIVERSÁRIO – Os dois anos de vida do projeto foi celebrado na última quarta (15\11), na comunidade. A chuva que caia não desanimou os adolescentes do Batuque do MOCA que deram o tom da caminhada que seguiu pelas ruas do  bairro. O evento também contou com oficinas de brincos e compostagem, além de apresentações de dança e capoeira.

A programação foi encerrada com uma feijoada. “Cada um doou uma coisa : cebola, feijão, arroz.  Juntou Dona Lurdinha, Dona Pequena e Vera e cozinharam. Raimunda foi arrecadando os ingredientes na vizinhança”, comenta Eliane.

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